Dificuldade para dormir na infância é muito comum e pode ter várias causas: rotina irregular, excesso de estímulos à noite, associação de sono (a criança só dorme em determinadas condições), pesadelos, medos, mudanças na casa, telas antes de dormir, além de questões físicas como refluxo, alergias, congestão nasal ou dor. Em alguns casos, porém, o sono ruim pode estar relacionado também a ansiedade.
A ansiedade infantil nem sempre aparece “como ansiedade”. Muitas crianças demonstram por meio do corpo e do comportamento: irritabilidade, choro fácil, necessidade constante de confirmação, “grude” maior com os pais, queixas físicas (dor de barriga, náusea, dor de cabeça), medo de dormir sozinho, resistência em ir para a cama, despertares frequentes ou dificuldade de “desligar” a mente. É comum piorar em fases de mudanças (início de escola, troca de turma, separação dos pais, chegada de um irmão, luto, mudanças de casa) ou quando a criança está sob pressão, mesmo que pareça “tudo bem”.
Alguns sinais que podem sugerir que a ansiedade está impactando o sono incluem: preocupação excessiva perto da hora de dormir (“e se…?”), medo intenso do escuro ou de ficar sozinho, necessidade de longos rituais para conseguir dormir, despertar noturno procurando os pais com frequência, ou recusa persistente em dormir. Isso não significa que a criança está “fazendo manha”; muitas vezes ela está pedindo segurança porque realmente não está conseguindo se regular.
O que pode ajudar em casa: criar uma rotina previsível (horário parecido todos os dias), reduzir telas pelo menos 1–2 horas antes de dormir, manter um ritual calmo (banho morno, história, luz baixa), evitar conversas “pesadas” à noite, validar sentimentos (“eu entendo que você ficou com medo”), ensinar estratégias simples de respiração, e incentivar autonomia gradual (por exemplo, presença dos pais diminuindo aos poucos). Também é importante observar se há fatores físicos atrapalhando (ronco, pausas respiratórias, coceira, dor, refluxo, congestão).
Quando procurar ajuda: se a dificuldade de sono dura semanas, se há sofrimento importante da criança ou da família, se o cansaço atrapalha escola e humor, se houver sinais de ansiedade intensa ou sintomas físicos frequentes, ou se você suspeitar de problemas como apneia do sono. O pediatra pode avaliar causas clínicas e, quando necessário, encaminhar para psicologia/psiquiatria infantil e orientar uma abordagem adequada e segura.
A informação de qualidade ajuda, mas nunca substitui a consulta ao médico. Busque ajuda profissional.