Criar o hábito da leitura na infância não é sobre “forçar a criança a ler cedo”, e sim sobre associar livros a vínculo, prazer e curiosidade. Quando a leitura vira um momento gostoso — e não uma cobrança — ela tende a se manter ao longo do tempo. E a boa notícia: dá para começar desde bebê, adaptando o jeito de ler à idade e ao interesse de cada criança.
1) Faça da leitura um ritual curto e frequente
A constância vale mais do que a duração. Em vez de “uma hora de leitura”, pense em 10 minutos todos os dias (ou quase todos): antes de dormir, depois do banho, após o jantar ou ao acordar. A repetição cria previsibilidade e segurança — e o cérebro aprende que aquele é um momento esperado e prazeroso.
2) Deixe os livros acessíveis (e “vivendo” na casa)
Quando o livro fica guardado “para não estragar”, ele deixa de ser parte da rotina. Tenha livros ao alcance da criança (em uma cesta, prateleira baixa, no quarto e na sala). Para os menores, prefira livros de pano, banho ou cartonados, que aguentam o manuseio. A autonomia de pegar e explorar aumenta muito o interesse.
3) Siga o interesse da criança — não o livro “ideal”
A melhor leitura é a que prende a atenção. Se a criança ama dinossauros, veículos, princesas, futebol, bichos, histórias repetidas ou livros só de imagens, use isso a favor. Repetir o mesmo livro várias vezes é normal e saudável: a repetição ajuda na linguagem, na memória e na segurança emocional.
4) Torne a leitura interativa e afetiva
Não precisa ler “perfeito” nem do começo ao fim. Vale apontar figuras, fazer perguntas simples (“onde está o cachorro?”), mudar a voz dos personagens, deixar a criança virar as páginas, completar frases e até “contar do seu jeito”. O que cria o hábito é a sensação de conexão: livro + presença do adulto.
5) Reduza distrações e dê o exemplo (sem pressão)
Telas muito próximas da hora de ler podem dificultar o foco. Tente criar um cantinho tranquilo, sem TV ligada, e escolha um horário em que a criança não esteja exausta. E, quando possível, deixe a criança ver você lendo também — mesmo que seja por poucos minutos. Evite usar leitura como punição ou obrigação; se houver resistência, diminua o tempo e retome com leveza.
Se você percebe que a criança tem muita dificuldade para se concentrar, atraso importante de linguagem, sofrimento na hora das atividades ou se a rotina está muito difícil, vale conversar com o pediatra para orientar o melhor caminho e, se necessário, indicar avaliação especializada.
A informação de qualidade ajuda, mas nunca substitui a consulta ao médico. Busque ajuda profissional.